domingo, 29 de novembro de 2009

Amannhecer do inferno.

O dia amanheceu cinzento e chuvoso no inferno,
Com o sopro da morte frio e fraterno
Senti a minha alma aos poucos congelar
Uma pétala após a outra, hiportemia da idade.

O dia amanheceu cinzento e distante,
O instrumento fálico reluzente controla a todos
Não sobra nada pra amar,
Para ser, viver, crêr.

O dia amanheceu violento e amargo
Morrendo à cada trago,
Eu vejo a verdade que tanto se escondeu
Por trás desse ruído coliseu
[de mentiras]

O dia amanheceu no rosto das mulheres,
Que eu deveria ter beijado
O dia amanheceu na cor da minha vergonha
Na ilusão de quem perde a Honra

O dia amanheceu naqueles rostos vazios,
Sem vida, sem amor, por um fio
O dia amanheceu no inferno de nossas vidas
ferindo com a hipotermia da solidão.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Devaneio.

Pode parecer óbvio, mas a pior coisa para um suicida é permanecer vivo. Perceber como dia após dia, a vida continua a mesma. Fora o lampêjo de esperança, cada vez mais vago que me mantém vivo, não há nada que quebre a monotonia de viver. São sempre duas escolhas claras, se matar ou seguir em frente.
Uma vez eu achei que fosse possível, no amor de uma mulher encontrar uma luz que dissipasse a minha escuridão. Felizmente, eu não achei. Tive de enfrentar meus medos, meus pedadelos, pra sobreviver e criar uma luz dentro de mim forte o suficiente para querer viver enquanto ainda pesso todo dia na morte, e no alívio que ela me traria.
Não se assuste, pois eu não sou depressivo. Pelo contrário, sou uma pessoa feliz. E isso é o que mais me assusta, pois não existe motivos para sorrir, quando na verdade tenho todos. O pior é que eu aprendi, venci e transformei todo aquele sofrimento em algo positivo. Mas ainda sim ninguém parece ligar, parece que meus esforços foram em vão e que o melhor era ter continuado sido aquele pedaço morto de vida.
Sou julgado, e criticado por coiosas que não faço. Sou rotulado de manipulador e maligno quando na verdade a única coisa que eu fiz foi me esforçar. E eu sei que existe uma chance de eu me cansar, e finalmente me entregar à morte. E é isso que mais me asusta, pois é quando todos os seus esforços e sua vida parecem em vão que o suicídio soa mais belo aos meus ouvidos. Sou um bom filho, um bom amigo, um bom amante. Porque será que ninguém me trata como uma boa pessoa?



Eu vou morrer para ser reconhecido.

domingo, 8 de novembro de 2009

Manquéz Eternelles.

Uma época sombria, foi-se. Em que tudo o que eu precisava era de uma dose de poesia e duas lágrimas.Foi-se uma época em que o mundo era só o meu parquinho de diversões, onde eu brincava com as pessoas como bonecos. Eu tentei deixar pra trás, tudo de ruim que o Inferno plantou em mim. Toda a escuridão e tudo de pútrido que eu carregava e fazia minha alma feder como a de um zumbi.
Mas no fim não adiantou muita coisa. Quanto mais eu me distancio da morte, mais ela ressoa aos meus ouvidos. Seu assobio fúnebre confunde-se com o silêncio que às vezes sai de minha boca.
Eu só queria fugir, eu queria uma chance de ser feliz. Eu peguei todas as chances que tive e eu agarrei como pude, eu fiz o meu melhor. Eu proucurei ser o melhor, mas o melhor não sou eu. Eu sou a dor, eu sou o infinito. Eu sou um paradoxo cruel e sádico de Deus. Eu sou uma piada de mal-gosto que Deus inventou para exemplificar o Sadismo. Eu sou a lembrança de uma época ruim.




Fortes são os que transformam em luz o que é escuridão.


Eu sou um fraco.
Eu vou morrer.
Adeus.

Alleine Zu Zweit.

Eu fui a luz,
O seu amante mais sincero.
Fui aquele que te conduz
Que te dá o conforto fraterno.

Eu fui seu amigo,
E por tanto tempo aguentei calado
A dor de um amor escondido
Para poder ficar ao seu lado.

E você se foi, mais uma vez
Fez o que quis de meu coração.
E agora, eu peço perdão
As trevas que um dia abandonei.

Aonde está meu luto?
A dor que me cercava
Cade o maldito,
Silêncio de nossas almas?

Eu quero morrer,
E levar esse amor comigo
Esse sentimento infinito
Estou a mercê
Do maldito.

Eu te quis, eu jurei
Eu sequei com palavras amigáveis
As lágrimas que eu mesmo plantei
Nesse seu sorriso de mágica

Minha doce, minha luz
A razão que me manteve vivo
Porquê você não está comigo?
Qual foi o erro,
Que me fez perder o seu amor?

Minha amiga, volte para mim
Para esse peito que sempre foi Teu
Seja a ilusão desse pobre poeta
Acenda o fogo de Prometeu.

Minha lágrima,
Minha Rainha.
Eu estou ao seu dispor,
Eu, seu pobre pierrot.

Pois nem o grito das Hárpias,
Nem mesmo o Lamento de Lúcifer
Consegue ser mais doloroso
Que o seu pranto.
Venha comigo,
Venha conhecer seu novo encanto.

sábado, 7 de novembro de 2009

Besteirada.

Eu me perdi.



Estava em algum lugar,
Talvez estivesse aqui.
Talvez estivesse Drummond
Ou talvez à rir
Mas eu perdi
Eu me perdi.

Talvez estivesse Dalí,
O amor de quem AmaDeus
Ah, Wolfang e Beethoven
Eu só sei que me perdi.

Nas entrelinhas estreladas
Nas mentiras enlatadas
Nas horas programadas
Na transa mal-gozada
Eu estava, eu estava.

Chegou a hora de dormir,
E não sei onde deitar a cabeça,
Só sei que é bom a beça
Ter se perdido aqui e ali
Eu me pedigree.
Eu me perdi, eu perdi o nexo.
Complexo [?]

A memória.

Um resto de dor passou por aqui,
E um sentimento tão subtil e vago
Deixou um rastro
Que eu não vou seguir.


Deixei meus medos, minhas vitórias
Deixei tudo em sua memória
Ah, minha amada ilusão
Você foi embora.

Deixou-me sozinho, desamparado
Nos botecos e becos mal iluminados
Eu sou o poeta da solidão
Eu sou o lobo mais fiel da noite.

Ah, minha vida
Minhas amargas ilusões perdidas
Se não sou anjo, se não sou nada
Perdoe-me as palavras
É que o peito dói e eu busco uma cura
Uma loucura.

Brilha o sol na estrada mais próxima
E eu me dou conta
Que o reflexo da luz vive dentro da minha alma.
Você foi embora, eu sei
Mas a estrada escura que eu seguia
Pra ela, jamais voltarei.

Então segue, Borboleta
Segue junto as minhas outras estrelas
E deixa essa violeta velha
Morrer em paz.



In Memoriam.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Minha Culpa.

Eu fui realmente assim?
Que fiz eu para tal sofrimento,
Cadê o juiz pra me explicar
A pena desse julgamento?

O que eu fiz, que fiz eu
Senão um pobre guerreiro?
Qual dos silêncios em mim se rompeu,
Na borda do desfiladeiro?

O que me mata, Mata-me
Me estrangula, esculpe-me
Em milhares de versos tento achar
Explicação para o meu chorar.

Será que fui tal Cruel?
Perdoa-me, Abel
Pois a minha inveja agora é o sangue
Que corre nas veias desse errante.

Vago, por entre as ruínas da sociedade entorpecida
E tento entender
Com a minha ínfima inteligência suicida,
O porque de tanto sofrer.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Patience.

Duas Personas.


O que fomos,
O que nós somos.
Eu estava tomado de amor

Não vi certos erros,
No engano de mais uma paixão
Esqueci os meus medos
hahaha, mais uma ilusão.

E eu não sinto, não sinto falta
Dos olhos medidos
Dos cabelos escorridos
Daquele seu jeitinho de criança, não
Ficou mais uma no espaço do meu peito
Apenas mais uma lembrança.

E agora, agora eu vou continuar
Antes eu soubesse que tudo seria assim
Teria nascido demônio, ou Serafim
Mas Deus me fez desse jeito
Um bocado imperfeito
A perfeição das mulheres que me amaram.

Hora bom, hora mal
Afinal, o que eu sou?
Apenas mais um ator
Dominado pelos seus anseios
Sou um, sou um milhão
Sou duas
Sou duas personas.

domingo, 1 de novembro de 2009

Oprime o peito doce e calorosa alflição,
Resta pouco espaço para bater o órgão
Queria que abrir o mundo fosse como abrir botão de roupa
[Mas não é.

Mal consigo me mover, tal a dor em meus punhos
A doce escuridão me chama à seus braços novamente
E minha vontade de viver dormente
Se entrega a minha pequena morte diária

Será que um dia haverá luz?
No limiar das trevas
Haverá alguém, alguém me conduz
De volta pra Terra?